Debate na Band é marcado por troca de acusações e poucas propostas. Quem se saiu melhor?

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram pela primeira vez no segundo turno na noite deste domingo (18), no debate da Band, em São Paulo. O confronto teve mais ataque do que proposta. A uma semana da votação, nenhum dos dois saiu com vitória clara.

Os principais embates

Flávio cobrou explicações sobre o envolvimento de pessoas próximas à família de Lula no escândalo dos descontos indevidos do INSS e citou o filho do presidente, Lulinha. Lula respondeu que não protege o filho e acusou Jair Bolsonaro de ter protegido Flávio de investigações.

Na segurança pública, tema puxado por Flávio, o senador criticou as saidinhas de presos e afirmou que a criminalidade explodiu no governo Lula. O presidente cobrou apoio à proposta de emenda constitucional da segurança enviada pelo governo e disse que os Estados fracassaram no combate ao crime.

Lula cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões que Flávio teria buscado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e desafiou o adversário a abrir os sigilos bancário e telefônico. Flávio disse não ter nada a esconder, mas não aceitou o desafio diretamente.

Houve ainda mea-culpa de Flávio sobre a condução da pandemia no governo do pai, discussão sobre o SUS e sobre a redução da jornada de trabalho. No fim, os apresentadores precisaram intervir depois que Flávio se posicionou atrás de Lula e provocou reação da plateia.

Ruim, mas campeão de audiência

Para o jornalista e analista político Felipe Tonet, editor do Extra Interior, o debate foi ruim e, ao mesmo tempo, um sucesso de audiência. “As duas coisas têm a mesma origem: o formato premia o confronto, e o confronto rende corte para rede social”, avalia.

“Lula demorou a perceber a tática de Flávio. Flávio escorregou das perguntas diretas”, afirma. Para ele, o objetivo de conquistar indecisos não foi alcançado por nenhum dos lados. “Ganhou o indeciso que não assistiu.”

Oportunidades perdidas

O publicitário Rafael Bernardo, da Agência DIGI9, com experiência em campanhas eleitorais, faz uma leitura parecida. “Lula começou mal e se recuperou. Flávio tinha espaço para crescer e não aproveitou”, diz.

Na avaliação dele, cada candidato teve um ponto forte e um tropeço. Rafael resume o encontro como um debate de oportunidades perdidas, com pouco recado para os indecisos e muito espetáculo para as torcidas.

“Flávio ganhou na postura, perdeu na repetição. Lula ganhou na organização, mas escolheu brigar logo no seu terreno mais frágil, a economia.”

Disputa apertada

No primeiro turno, Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. As pesquisas seguem apontando empate técnico. Segundo o Datafolha, Flávio tem 51% dos votos válidos e Lula, 49%. O segundo turno acontece no domingo (25).

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