Lula virou o jogo e Flávio perdeu a vantagem: especialistas apontam os acertos e erros do 2º turno

O presidente Lula (PT) foi reeleito neste domingo (25) e conquistou um feito inédito: é o primeiro candidato desde a redemocratização a vencer uma eleição presidencial depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula teve 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), que somou 59.826.041.

No dia 4 de outubro, Flávio tinha saído na frente, com 47,03% contra 45,16%. Em três semanas, o placar virou.

A virada veio da rua
Os números do TSE mostram de onde veio a diferença: quase 3 milhões de eleitores a mais foram votar no segundo turno. A abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, e a maior parte desse eleitor novo escolheu Lula.

“A mobilização nacional foi fundamental para a virada de Lula. A juventude vestiu a camisa, foi para as ruas e mudou o resultado. Isso foi sentido até no interior, onde Lula teve um aumento considerável de votos”, avalia o publicitário Rafael Bernardo, proprietário da agência Digi9.

Onde Flávio errou
Do lado derrotado, a segunda-feira foi de procurar culpado. Nas redes, apoiadores de Flávio dividem a responsabilidade entre Pablo Marçal, que influenciou o estilo do candidato nos debates, e Nikolas Ferreira, autor de um dos vídeos mais vistos da campanha. Para quem analisa comunicação política, a derrota não cabe em um nome só.

“Uma virada dessas é resultado de acúmulo. Flávio escorrebou e saiu do personagem de moderado nos debates, a coordenadora econômica falou em transição no Bolsa Família, o grupo discutiu ministérios antes de vencerem as eleições, parte da militância ilustrou o discurso do adversário de violentos, arrumando brigas nas ruas. Campanha não perde só para o adversário: a de Flávio perdeu um pouco para si mesma a cada semana”, avalia o especialista em marketing político Felipe Tonet.

Flávio não reconheceu a derrota e anunciou que vai pedir a anulação da eleição, questionando a prorrogação do horário de votação até as 19h. O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, afirmou que a extensão não comprometeu o resultado.

Aqui na região, Flávio venceu, mas Lula cresceu mais
No noroeste paulista, Flávio venceu com folga: 69,09% em Santa Fé do Sul, 68,11% em Jales, 67,62% em Votuporanga, 66,91% em Araçatuba, 65,29% em Rio Preto e 63,29% em Fernandópolis. No estado de São Paulo, teve 53,85%.

Mas foi Lula quem mais ganhou votos entre um turno e outro. Aqui em Santa Fé, o petista passou de 4.718 para 6.031 votos, alta de quase 28%, enquanto Flávio cresceu 7%, de 12.581 para 13.482. O padrão se repetiu em Rio Preto, onde Lula ganhou 19.931 votos a mais (alta de 28%), e em Araçatuba, com 9.141 a mais (32%).

A exceção da região foi de novo Itapura, vizinha de Ilha Solteira, onde Lula venceu com 68,61% dos votos.

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